Temos então uma Sociologia popular da burrice:
O problema da ordem social, na génese da Sociologia, começa no querer resolver como manter um olho no burro e outro no cigano.
Sem Deus para adorar nem Rei para temer albarda-se o burro à vontade do dono.
E, em tempos de sujeição, mais vale burro vivo do que sábio morto.
O imobilismo social, singular deste bafio, faz com que filho de burro não possa ser cavalo. Ser dócil é a virtude e com o castigo se conquista. Criado que não faz o seu dever orelhas de burro deve ter.
A industrialização impõe o ritmo, outros mercados e novos produtos, o consumo impera e queira ou não queira o burro tem de ir à feira.
À chegada da democracia há quem tema a rebaldaria mas, de novo é essencial a ordem, quando um burro zurra, os outros baixam as orelhas.
É criada a esperança da mobilidade social e, para isso, os livros são tão importantes que até os burros vêem neles serventia.
A melhoria de status é alcançada mas, apesar de um burro carregado de livros ser um doutor, vozes de burro não chegam ao céu. E é esta relação de conflito, entre o saber e o poder, que os burros revelam.
Globalizam-se os mercados, novas tecnologias de informação, é o lazer do sreen, qual livro qual carapuça, copy e paste é o que está a dar. A intolerância é visível e, a burro velho mais vale matá-lo que ensiná-lo, às vezes insuportável se, com a net em inglês, burro velho não aprende línguas.
